Entre Aspas: Mudança

mudança

Começar nada e terminar tudo. Ou ao contrário. Esse era o novo motivo que tinha me tirado o sono nos últimos três dias.

Meus pensamentos eram tão inconstantes quanto às coisas que entravam e saíam das caixas. Tudo estava tão rotulado como nunca tinha visto antes. Não mudei e tive que mudar. Para sempre.

Ele já não queria mais dividir nada.

Nem sonhos. Nem brigas. Nem casa. Nem nós.

Sou confusa, confesso, mas me perdoa. Se puder culpar a imaturidade dos meus 17 anos, eu culpo. Ou a sensibilidade e carência de toda pisciana, idem. Só nunca me acuse de não te amar. Isso não.

Amei. Em cada canto desse recanto. Sem tirar nem por. Eu amei. Incondicionalmente. Irracionalmente. Permeando todo o tom pueril de uma criança.

Bastou virar as costas e você se foi. Num piscar de olhos.

Voltei pra casa pela última vez como uma criança que tinha acabado de sair da escola.

O nada me encontrou. Gritei.

Sabia que o nós estava começado a conhecer o eu.

Os soluços do desespero não me deixavam respirar. Comecei a morrer só de pensar que você nunca se importou. E que você sempre foi assim.

Joguei a raiva pro alto e corri para outro lugar. Maldito.

Você foi uma batalha que eu não pude vencer. Aprendi.

Mudança.

O vazio ganha espaço.

O desapego é o que pega.

Quem escreveu: Danilo Moraes acredita que a sorte favorece os que arriscam e, por isso, arrisca a escrever. Formado em Comunicação Social pela ESPM, é coordenador de projetos digitais na Wunderman, editor-chefe do blog radarsocial e gosta de ouvir os conselhos de Nietzsche. Acompanhe o Danilo em seu perfil no Twitter.