Entre Aspas

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No ano de 2025, a vida real e a vida virtual encontram-se tão intimamente relacionadas que quase não há mais distinção entre as sociedades de fato e as redes sociais. Num contexto em que a inclusão digital alcançou 90% dos habitantes do planeta, e em que existem mais de 7 bilhões de perfis ativos no Facebook, o site de relacionamentos concebido 15 anos antes enfrenta um irônico e até então impensável desafio: sobreviver ao excesso de usuários. Com o intuito de assegurar que a rede não sucumba a um caos de convites e publicações indesejáveis, seus administradores resolvem pôr em prática um rígido código de conduta, medida que coincide com a instituição de um tribunal para julgar infrações e abusos cometidos pelos frequentadores:

– Caso 3742, Facebook contra Fernando Soares. Com a palavra, a acusação.

– Senhor Fernando, consta nos autos uma queixa apresentada pela senhorita Amanda Vasconcellos, de que o senhor a teria cutucado por diversas vezes num período de 2 semanas. A informação procede?

– Sim, procede.

– E qual foi o motivo que despertou um comportamento, digamos, tão compulsivo?

– Bom, a Amanda é minha colega de faculdade e, na aula de Psicologia dos  Avatares II, fiquei achando que ela também se interessava por mim. Por isso cutuquei, para facilitar a aproximação e ajudar a quebrar o gelo…

– Mas 7 vezes consecutivas??

– Como é que eu podia saber que ela não estava gostando? Ela me cutucava de volta!

– Não passou pela cabeça do senhor que a senhorita Amanda poderia apenas estar tentando ser educada?

– Como assim educada? Ela me “tagueou” numa foto…

– Onde estavam tagueadas outras 9 pessoas da turma!

– Ok, tudo bem, digamos que eu tenha abusado das cutucadas, mas no dia em que eu a chamei no chat ela foi enigmática, e foi isso que me levou a pensar que estava rolando um joguinho…

– O que exatamente configura a atitude da senhorita Amanda como enigmática?

– Ela disse: “Fernando, nós precisamos conversar”. Daí eu perguntei sobre o que, e a Amanda não respondeu mais. Fui levado a pensar que ela queria me convidar pra sair mas estava com vergonha…

– Em depoimento a senhorita Amanda alegou que na referida conversa pretendia pedir ao acusado que parasse de cutucá-la insistentemente, mas o sinal do 8G caiu, visto que ela digitava no interior de um avião que adentrava a estratosfera.

– Poxa, e ela nem postou uma foto disso? Eu ia curtir e compartilhar, com certeza!

– Numa outra queixa, o senhor foi denunciado por publicar em janeiro deste ano no Instagram a foto de uma sobremesa, o que, como sabemos, é terminantemente proibido desde 2015.

– Protesto, meritíssimo, meu cliente não comentará suas ações em outras redes sociais!

– Retiro, senhor Juiz. Prosseguindo: na semana passada o senhor foi acusado por diversas pessoas de praticar excesso de postagens sobre um mesmo tema…

– Ah, agora isso também?! Pô, a Apple compra a Grécia e eu não posso nem comentar o assunto com meus amigos? Aliás, que amigos esses, hein…

– O novo código vigente determina que o autor de 3 posts sobre um mesmo tópico seja advertido, e punido com suspensão sumária da conta caso insista com as publicações.

– Meritíssimo, posso me defender? O primeiro post foi o furo da notícia, o segundo, um vídeo do holograma do Steve Jobs comentando a aquisição; o terceiro e o quarto posts foram fotos da bandeira com a maçã mordida sendo hasteada em Atenas. Era relevante!

– Senhor Juiz, a lista de acusações é interminável, mas vamos nos ater a um último ponto: convites para eventos.

– Pronto, lá vem…

– Nos últimos 2 meses o senhor Fernando enviou a sua lista de amigos nada menos do que 19 convites para eventos, muitos destes estapafúrdios, tais como “Reunião dos Saudosos do Twitter” e “Festa de Aniversário da Suzy”, que vem a ser um avatar feminino criado por ele mesmo.

– Só quero deixar registrado que recebi várias confirmações pra festa da Suzy, ok?

– Precisamente 5, todas provenientes de perfis de avatares também criados pelo senhor. Já para o evento do Twitter…

– Bem, acho que cheguei a um veredito. Senhor Fernando, gostaria de dizer alguma coisa antes da sentença ser proferida?

– Sim, gostaria de perguntar ao Senhor Juiz se estou autorizado a fazer um vídeo deste momento…

Quem escreveu: Bruno Medina é músico da banda Los Hermanos e escritor nas horas vagas. Nascido no Rio de Janeiro, formou-se em comunicação pela PUC-RJ, mas a música nunca permitiu que chegasse ao mercado publicitário. Começou a tocar piano e escrever histórias ainda criança, sendo que as duas aptidões o acompanham desde então.

Música para ouvir: Keane

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Eles são muito ingleses own e acho que por isso pra mim são perfeitos. A primeira música que ouvi foi Everybody’s chaging em 2004.

Keane é uma banda inglesa, da cidade de Battle, East Sussex. A banda é formada por Tim Rice-Oxley, compositor e pianista, Tom Chaplin, vocalista e Richard Hughes na bateria. Eles tinham um guitarrista Dominic Scott, que deixou a banda em 2001. A voz de Chaplin, que canta freqüentemente em falsete, é uma importante característica da banda.

Eles citaram muitas influências, incluindo The Beatles, U2, Oasis, R.E.M., The Smiths, Radiohead, Queen, Pet Shop Boys e Paul Simon.

Tim Rice-Oxley e Dominic Scott foram os principais compositores da banda em seus primeiros anos. Quando Scott a deixou em 2001, Rice-Oxley tornou-se o principal compositor. Chaplin e Hughes davam contribuições menores (vocal e bateria). Rice-Oxley creditava a eles cada som, enquanto Keane participava num esquema similar ao do U2, onde o dinheiro era repartido entre os membros da banda.

O grupo foi formado por volta de 1995 por Tim Rice-Oxley (baixo, guitarra e vocal), Dominic Scott (guitarra e vocal) e Richard Hughes (bateria). Em 1997, Tom Chaplin (vocal e guitarra) passa integrar a banda. Nessa mesma época, adota-se também o teclado como um dos instrumentos. No ano seguinte, decidem se mudar para Londres. Em fevereiro de 2000 lançam o primeiro single, Call Me What You Like, e em junho de 2001, Wolf At The Door, ambos pelo selo Zoomorphic. Descontente com a falta de sucesso da banda e com diferenças musicais em relação a seus companheiros, Dom deixa a banda em 2001.

As que eu mais gosto são:

Filme da semana: Esperar para sempre

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Emma (Rachel Bilson) e Will (Tom Sturridge) eram grandes amigos na infância. Porém, devido ao destino, os dois se separaram. Enquanto Emma se tornou uma estrela da TV, Will vaga pelo mundo fazendo apresentações de rua. O que Emma não sabe é que Will continua apaixonado por ela e que ele a segue por todos os lados para manter o seu amor vivo. Quando Emma volta para a cidade onde os dois um dia foram melhores amigos, ela precisa lidar com a enfermidade do seu pai (Richard Jenkins) e o reencontro com Will.

Eu assisti há algum tempo e continuo suspirando pelo Will até hoje. Esperar Para Sempre valoriza aquele romance idealizado que está tão escasso nos dias de hoje. Ele é aquele menino sonhador e apaixonado que acredita no amor para vencer todas as barreiras. Artista de rua, é o garoto “idealizado” pelas pessoas mais sonhadoras.

Já a Emma de Rachel Bilson segue um caminho bem diferente. Ela está sofrendo com o câncer do pai, além de estar envolvida num relacionamento problemático. Ela não está na mesma sintonia de Will. E é exatamente aí que surge o maior problema de Esperar Para Sempre. Abordando essas duas histórias paralelamente, o roteiro constrói a vida de cada um dos personagens durante boa parte do filme, juntando os dois somente depois da metade. O resultado é o seguinte: as duas storylines separadas até que funcionam. Mas, a partir do momento que o roteiro tenta formar um romance, não é bem sucedido – afinal, são pessoas diferentes, com vidas diferentes e que parecem não ter nada em comum a não ser as lembranças de quando eram amigos de infância.

Contudo Esperar para sempre nos faz refletir sobre o que perdemos quando a vida bate a porta e nos obriga a tornarmos adultos. Agora o que me pergunto e muitas vezes me deixa triste é: ser adulto é abandonar sonhos, sentimentos e virar uma pessoa racional? Se assim for quero ser uma criança iludida para sempre!

Entre Aspas

sofrer

Se você está sofrendo por causa de um amor perdido, eu tenho más notícias: não há nada que você possa fazer. E não há ninguém que possa ajudar. Na melhor das hipóteses, você vai ter um amigo paciente pra levá-lo a um bar e ouvir suas queixas e, eventualmente, buscar você em um bar e leva-lo pra casa com segurança, nos dias que você se comportar feito um bobo. Na verdade, até existe alguém capaz de curar sua dor, mas esse alguém não costuma ter pressa: ele se chama tempo. Portanto, procure levantar sua cabeça, e dar um passo adiante, por menor que seja, porque você ainda tem um longo caminho a percorrer dentro desse inferno.

Ter pena de si mesmo não vai ajudar em nada, e por mais que você que não acredite, eu posso te garantir que você sente algum prazer em cultivar esse sofrimento. Sim, estar triste é uma forma de exercer a paixão, quando o alvo dessa paixão já se foi. Você está usufruindo o seu direito de estar eternamente apaixonado. Isso é ótimo, prova que você é um romântico. Mas, coisas ótimas não costumam ser baratas, e você tem que pagar seu preço. Em algum momento, tudo isso vai passar. E nesse caso, quando o furacão for embora, ele não deixará destroços, como se nada tivesse acontecido. Você vai recuperar suas noites de sono. Vai se sentir revigorado, vai tá feliz consigo mesmo, vai levantar sua auto-estima. Você vai tá pronto pra entregar seu coração à outra pessoa, mesmo correndo o risco de parti-lo em mil pedaços novamente, porque o amor… sempre vale a pena.

Música para ouvir: Boyce Avenue

Boyce+Avenue+e

Quem nunca ouviu um cover do Boyce Avenue? Eu conheci eles em 2010 navegando pelo youtube e me apaixonei pelo jeito choroso do Alejandro cantar.

Boyce Avenue, uma banda formada na Flórida, popular pelas suas fortes notas acústicas e a constante melodia e harmonia, consiste em três irmãos Alejandro, Fabian e Daniel Manzano e um amigo, Stephen Hatker. A banda formou-se em 2000, quando Alejandro (vocais, guitarra e piano) e Fabian (guitarra e vocais), na altura com 14 e 16 anos respectivamente, começaram a tocar guitarra. Em 3 meses, Alejandro e Fabian convidaram ao palco o seu irmão mais velho, Daniel (baixo, percussão e vocais) na altura com 20 anos, para atuar à uma audiência de 350 pessoas no show da escola secundária Pine View. Esta seria a primeira de muitas atuações da banda para a escola onde todos os seus membros foram colegas durante a infância.

Nos anos a seguir, a banda foi separada geograficamente, enquanto Fabian fazia a licenciatura de Arquitetura na Universidade de Florida e Daniel deixou Flórida para frequentar a escola de Direito de Harvard em Cambridge, Massachusetts. Durante esse período os Boyce Avenue reuniram-se em todos os momentos oportunos para colaborarem musicalmente. Não foi até Outubro de 2004 e nos meses a seguir, que os Boyce Avenue iriam formar uma banda. Daniel, que tinha graduado recentemente da escola de Direito, juntou-se a banda em Florida como baixista, e Alejandro, com 18 anos, começou a escrever a primeira música original da banda “Find Me”. Nos meses seguintes, a banda atuou na sua terra natal, Sarasota, e em Abril de 2005 a banda subiu ao palco da escola secundária Pine View pela última vez.

As músicas que eu mais gosto são: