Entre Aspas: Sinestesia/Despedida

flor amarelaChegou em casa, colocou as compras em cima do sofá. Foi correndo se lavar. Naquela semana, escolheu flores amarelas para enfeitar o jantar. Podou. Cortou. Colocou no vaso. Molhou a casa se embaralhando para fazer tudo sem nem mesmo se secar. Foi manchando o chão de poças escuras. O taco bege. O taco marrom. O taco preto. Foi escolher o vestido. O pretinho que ganhou dele no ultimo aniversário. Arrumou-o no corpo, ajustou o fecho apertado, tentou se encaixar. Não conseguiu calçar os sapatos. Ele poderia chegar a qualquer momento. Estava tudo pronto. Esperava há tempos. Acendeu uma vela dourada e brilhou o olhar. O amarelo das flores aos poucos foi desaparecendo no vestido preto. A luz do fogo ameaçou falhar. Sentiu seus pés ainda úmidos e as mãos quentes a congelar. Os amarelos murcharam e ele não veio. Ficou o escuro e sumiu o brilho. Apagou a vela e tentou chorar. O preto calou suas lágrimas. E, então, ficou só.

Quem escreveu: Ana Luiza Pereira insiste que os milagres são cotidianos. Por isso, ela treina o seu olhar diariamente no blog A Pattern a Day. A mineira, que estudou Design em Berlim e Curadoria de Arte Contemporânea em Londres, tem certeza que deixa um pedaço de si a cada exposição que visita. Sua grande inspiração é sua avó.

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