Entre Aspas

Num canto qualquer, de uma grande cidade, um jovem cansado de nada ser. Talvez não fosse o cansaço exclusivo do rapaz, mas marca essencial da juventude do mundo. Mundo tão grande, coração apertado. O jovem cansado gritava, berrava, chorava – sempre em silêncio. Quem o ouvia? Ninguém o ouvia. Tudo era saudade – de pião, bola na rua, de baile de formatura. Saudade do simples da vida, do vento no rosto, do beijo gostoso da primeira namorada.

Num canto qualquer, um quarto cheio – cheio de vazio, e um silêncio cheio de significado. Um jovem qualquer, uma agonia invisível, uma vontade de ir. De ir para onde? Para longe dali, do quarto, da cidade, dos contatos frios. Seria loucura? É certo que sim, mas não é de loucuras que se vive o homem? Precisa coragem – queimar seus navios. Desbravar novas terras, novos olhares, novas pessoas que se falem de perto, que se deem as mãos, que se cheirem e se ouçam – se sabe da voz.

Num canto qualquer, um coração tristonho – querendo ter paz, querendo salvar o pobre rapaz da dor que em si se instalou. Precisa de outros, não mais os que batem tão ao lado. Não compreendem esses corações a luta que o seu trava, pois talvez sejam apenas órgãos humanos e não mais figura poética absoluta de amor. Se acaso encontrasse ou a ti lhe chegasse um peito irmão que nas veias e artérias de tanto amor – maior confusão – a dor lhe tiraria em sorrisos tão vãos.

Num canto qualquer um escritor pensando, pensando demais, rachando mesmo a cabeça para unir as pontas do começo com o fim de um texto. Numa cidade tão grande o escritor tão cansado de nada ser. Saudade de nada. Esperança de tudo – frases feitas e tão vazias. Um mundo tão grande e tudo tão perto – um mundo encolhido e a gente sozinho. Sozinho? Quem, onde?

Num canto qualquer – eu ou você, homem – mulher. Tristes, felizes, juntos, cansados. Buscando a paz – paz que não é pra quem quer. Seguir, seguir, seguir, será que vão conseguir? Creio que sim, a vida arruma seu jeito até para nós que vivemos num canto qualquer, de uma cidade qualquer, em um texto qualquer.

Sobre o autor: Caio Augusto Leite tem 19 anos, cursa letras na Universidade de São Paulo, e escreve poesias, crônicas e contos. Começou a fazer sucesso com o seu Tumblr, o “Vento de Maio” e também atualiza constantemente o seu blog. Vem ganhando espaço na internet, por meio das redes sociais.

Gostou do post? Então segue o blog é só clicar #seguir aqui do lado. Sugestão de post? Manda pra mim é só entrar em contato. Até a próxima.

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